Porque é que muitos animais do deserto saem à noite?
Já andaste de pés descalços na areia num dia de sol? Ai, a areia pode estar tão quente que até te faz saltar! Agora imagina uma terra inteira coberta dessa areia, a perder de vista.
Essa terra é um deserto, e há muitos animais a viver lá. Mas, se lá fosses à hora do almoço, quase não verias nenhum. Porque é que tantos animais do deserto esperam pela noite para sair?
No deserto, o sol brilha com força o dia inteiro. Há poucas nuvens para o tapar e poucas árvores para dar sombra. Por isso, o sol aquece tanto a areia que ela pode queimar as patinhas dos animais.
Um animal pequeno que ande nesse calor aquece depressa. Não tem um sítio fresco onde descansar, por isso o corpo fica demasiado quente. É como tu te sentes depois de correres muito num dia de verão. Se ficar demasiado quente durante muito tempo, o animal pode ficar muito doente.
O calor traz um segundo problema, que tem a ver com a água. Um corpo quente perde água para arrefecer, como um cão que arfa com a língua de fora. No deserto, chove pouco e é difícil encontrar poças de água. Por isso, custa repor cada gota que um animal perde.
Durante o dia, muitos animais do deserto escondem-se numa toca, um buraco que escavam debaixo da terra. Lá em baixo, a terra continua fresca e um pouco húmida, longe do sol escaldante. Os animais descansam e esperam. O que achas que acontece a toda aquela areia quente quando o sol se põe?
Quando o sol se põe, a areia perde o calor depressa. O céu do deserto quase não tem nuvens, e as nuvens são como um cobertor que guarda o calor. Sem esse cobertor, o calor sobe e afasta-se. Assim, o ar da noite fica fresco.
Agora, os animais saem dos seus esconderijos. Chamamos noturnos aos animais que ficam acordados e ativos à noite. Na escuridão fresca, os animais noturnos podem correr, caçar e procurar comida sem aquecer demasiado nem perder demasiada água.
Pensa num pequeno rato-canguru. Passa o dia a dormir na sua toca, aconchegado e fresco. À noite, este animal noturno salta pela areia e enche as bochechas de sementes. Depois, apressa-se a voltar à toca antes de o sol nascer.
As duas palavras novas são toca e noturno. Como o sol quente do deserto aqueceria demasiado os pequenos animais e os faria perder demasiada água, eles descansam numa toca de dia e saem como animais noturnos na frescura da noite.
Da próxima vez que vires a lua nascer, imagina os pequenos animais do deserto a acordar debaixo dela, enquanto tu te aconchegas para dormir.

Fenn







