

Velmo e a Noite Que Não Queria Começar
A lua Velmo cochila atrás de uma nuvem e a noite não sabe como começar — até descobrir que todo mundo já sabia.
- 1A lua que cochilou3:24
- 2Astrel tenta sozinha3:27
- 3Cada um lembra como se faz3:23
- 4Velmo acorda3:10
- 5A canção que ficou3:18
O céu estava quase pronto para a noite. As últimas nuvens iam se acomodando, macias como travesseiros amassados. Lá no meio de tudo, a lua Velmo bocejou… um bocejo comprido, prateado, do tamanho de um rio inteiro. Só um instantinho, ele pensou. Só até o sol terminar de descer atrás do morro.
E Velmo encostou a bochecha redonda numa nuvem cinza. Só encostou — sem querer dormir de verdade. A nuvem era morninha. Cheirava a chuva antiga e a lençol seco de varal. Os olhos dele foram fechando devagar, como duas janelinhas. E a luz da lua… foi ficando baixinha, baixinha, baixinha.
Lá embaixo, o mundo esperava. As flores do campo continuavam abertas, com as pétalas esticadas, achando aquilo muito estranho. Onde estava o sinal? Todo fim de tarde Velmo acendia sua luz, e elas fechavam devagarinho, uma depois da outra, como se dessem boa-noite umas às outras.
Nas casas do vilarejo, as janelas não sabiam o que fazer. Uma se apagava. Duas se acendiam. Um cachorro deu três voltas no tapete e sentou de novo, sem deitar. O leite esfriava nas canecas. E as crianças, de pijama, iam parar no vidro da janela com o nariz achatado, olhando para cima.
As corujas do bosque ajeitaram as penas e conferiram seus relógios. Tique. Taque. Já passava muito da hora. — Está atrasado — disse a coruja mais velha, girando a cabeça devagar. — A noite nunca se atrasa. Os grilos, sem saber se começavam ou não, tocaram meia notinha e pararam no meio.
— Alguém viu a lua? — perguntou uma coruja pequena, esticando o pescoço até quase ficar de cabeça para baixo. — Talvez ela esteja atrás daquela nuvem grande. — Talvez ela esteja… dormindo? E ninguém riu. Porque, se a lua dormisse, quem é que ia embalar o mundo hoje?
Bem no alto, entre um brilho e outro, a estrelinha Astrel piscou. Ela era pequenininha, do tamanho de um grão de luz, e sempre chegava primeiro ao céu. Olhou para a nuvem cinza. Ouviu um roncar bem fininho, quase um sopro de vento. E entendeu tudo de uma vez, do jeito que as estrelas entendem.
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