Maron e a Canção do Fundo do Mar
Pronta para ouvir· Capítulo 1 de 3
Maron e a Canção do Fundo do Mar
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Capítulos
  • 1A canção mais funda do oceano3:21
  • 2Baixinho, mais baixinho, quase um sopro3:01
  • 3A canção que se dissolve3:16
Texto sincronizado

Texto da história

A canção mais funda do oceano
Maron e a Canção do Fundo do Mar

Quando o sol se despede do mar, a água fica azul-escura e macia… como um cobertor muito, muito grande. Lá no fundo, onde a luz só chega devagarinho, mora a baleia Maron. Ela é enorme — do tamanho de três barquinhos — e tão mansa que os peixinhos dormem dentro da sombra dela. E toda noite, assim que as estrelinhas se acendem lá em cima, Maron começa a cantar.

A canção de Maron não tem palavras. É um som fundo e redondo, que nasce lá dentro do peito dela e atravessa a água inteira. As algas balançam. As conchinhas tremem devagar sobre a areia. Até os grãozinhos de areia parecem respirar junto — um, dois… um, dois. É a canção mais funda de todo o oceano, e ninguém sabe cantar igual.

Os peixinhos prateados chegam de todos os cantos. Vêm de dois em dois, de três em três, roçando as barbatanas nos corais. Param no escurinho morno, bem pertinho da baleia. Um deles boceja. Outro fecha os olhos. E em pouquinho tempo estão todos dormindo, subindo e descendo com a canção, como folhinhas num rio muito calmo.

— Maron… — chamou uma voz pequenina, pequenina. — Será que eu posso cantar com você? Era Corien, o cavalo-marinho. Ele se segurava num coral cor-de-rosa com a caudinha toda enroladinha, e o coração dele batia rápido, rápido. Tinha esperado a noite inteirinha para juntar coragem e perguntar aquilo.

Maron sorriu com os olhos e continuou a cantar. Corien respirou fundo, inchou o peitinho e cantou também. Mas a voz dele é fininha… fininha como um fio de teia molhado. Ela saiu, subiu só um tiquinho — e desapareceu dentro do som enorme da baleia. Ninguém percebeu. Nem um peixinho abriu os olhos.

Corien tentou de novo. Cantou mais forte, esticou o pescocinho curvado, até a cauda doer de tanto se firmar no coral. Nada. A canção de Maron era um mar inteiro; a dele era só uma gotinha. Então ele parou. Encolheu-se no coral, bem quietinho, e ficou olhando as bolhinhas subirem sozinhas… até lá em cima, onde a lua espiava.

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