Tarka e o Mapa dos Lugares Calmos
Pronta para ouvir· Capítulo 1 de 5
Tarka e o Mapa dos Lugares Calmos
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Capítulos
  • 1O mapa no casco3:08
  • 2O recife que brilha3:05
  • 3A baía dos sininhos3:10
  • 4A floresta de algas e a lagoa morna3:00
  • 5O último lugar calmo3:09
Texto sincronizado

Texto da história

O mapa no casco
Tarka e o Mapa dos Lugares Calmos

O mar estava morno naquela manhã, e a luz caía na água em fios dourados. Tarka, a tartaruga, cochilava numa pedra lisa. Suas patas balançavam devagar, como duas folhas. E no casco dela havia riscos, manchas e linhas tortinhas… que não eram riscos coisa nenhuma. Eram um mapa. Um mapa muito, muito antigo.

Era o Mapa dos Lugares Calmos. Cada pontinho marcava um cantinho onde o próprio mar adormece — onde as ondas param de correr e só respiram. Tarka tinha visitado todos eles, um por um, quando suas patas ainda remavam depressa. Agora as linhas estavam desbotadas. E ela também andava bem devagarinho.

— Tarka! Tarka! — chamou Delfo, o golfinho, saltando tão alto que respingou água no nariz dela. — Eu vi uma coisa no seu casco! Tem desenho aí. Tem caminho! O que é isso, hein? Me conta, me conta, me conta! — E deu três voltas no ar antes mesmo de esperar a resposta.

Tarka abriu um olho. Depois o outro. Tartarugas não têm pressa nem para acordar. Ela esticou o pescoço e olhou o próprio casco de lado — o que não é nada fácil, acredite. Depois soltou um suspiro comprido, cheio de mar e de memória. Fazia tempo que ninguém perguntava aquilo.

— É o Mapa dos Lugares Calmos — disse Tarka. — Cinco cantinhos onde o mar dorme. Eu conheço todos… visitei um por um, quando era rápida. Mas agora ando devagar demais, e o mar é grande. Grande demais para uma tartaruga velha e sonolenta como eu. Acho que nunca mais vou rever nenhum deles.

— Então eu te levo! — Delfo girou na água e bateu a cauda, todo feliz. — Você segura na minha nadadeira, eu nado, e a gente vai! Um lugar de cada vez. Sem correr… bom, quase sem correr. Prometo parar toda vez que você mandar parar. Prometo mesmo, de nadadeira erguida! Vamos hoje? Vamos agora?

E foi assim que a viagem começou. Tarka encostou a pata na nadadeira de Delfo. O golfinho arrancou devagarinho, com o cuidado de quem carrega uma coisa preciosa. A água abriu caminho, morna e clara. E no casco, o primeiro ponto do mapa esperava — pequenininho, quase apagado.

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