Fenn, Riska e o Cesto Perdido
Pronta para ouvir· Capítulo 1 de 3
Fenn, Riska e o Cesto Perdido
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Capítulos
  • 1O cesto que sumiu3:05
  • 2As pistas da floresta3:01
  • 3A parte fácil3:04
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Texto da história

O cesto que sumiu
Fenn, Riska e o Cesto Perdido

A tarde escorregava devagar entre os pinheiros, dourada como mel morno. Riska estava sentada num galho baixo, contando nas patinhas… uma vez, duas vezes, três. Não adiantava contar. O cesto de avelãs — o cesto do inverno inteiro — tinha sumido. E o pior de tudo: foi ela mesma quem escondeu.

— Riska? — chamou Fenn, surgindo entre as samambaias com a cauda cheia de folhinhas secas. — Você está mexendo nas orelhas. Você só faz isso quando tem alguma coisa entalada aí dentro… — A raposinha sentou-se no musgo, sem pressa nenhuma. — Pode contar. Eu tenho a tarde inteira.

Riska abriu a boca. Depois fechou. Havia um nó bem no meio da garganta, do tamanho exato de uma avelã. Ela guardara o cesto num lugar tão secreto, tão perfeitamente secreto, que nem a própria memória conseguia entrar lá. E se Fenn achasse graça? E se achasse que ela era boba?

— Eu… perdi uma coisa — sussurrou Riska, olhando para as próprias patas. — Uma coisa grande. O cesto das avelãs. Escondi tão bem que agora nem eu acho. — Ela encolheu o rabo felpudo. — Passei o outono inteiro juntando avelã por avelã, e agora foi tudo à toa.

Fenn não riu. Fenn nem chegou perto de rir. Inclinou a cabeça, e os olhos espertos brilharam com uma ideia nova. Pelo caminho, pensou ela, existem pistas. Cascas mordidas, pegadas, folhas fora do lugar. Uma floresta guarda tudo o que vê — só não conta para quem tem pressa.

— Então vamos caçar! — disse Fenn, levantando-se de um pulo só. — Não o cesto. As pistas. Uma de cada vez, devagarinho, como quem lê um mapa. — Ela estendeu a patinha. — E se a floresta quiser brincar de esconde-esconde, a gente brinca melhor do que ela.

Riska desceu do galho. O musgo era fresco e macio sob as patas, e o céu, lá em cima, começava a trocar o dourado por um azul de veludo. As duas partiram pela trilha estreita — a raposinha na frente, farejando o ar; a esquilinha atrás, com o coração ainda apertadinho, mas um pouquinho menos.

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