

Polvi e o Enigma das Oito Conchas
Polvi encontra oito conchinhas numa fileira, e cada uma guarda um somzinho diferente. Será que juntas escondem uma canção?
- 1As oito conchinhas3:15
- 2A concha caladinha2:57
- 3A canção de ninar do mar3:02
No fundo do mar, onde a água é morna e o azul fica quase roxo, o polvo Polvi acordou devagarinho. Esticou um bracinho. Depois outro… e mais outro. A areia fina fez cócegas nas suas ventosas macias. Foi então que ele viu: mesmo ali, à frente da pedra redonda, havia oito conchinhas deitadas numa fileira certinha.
Polvi aproximou-se sem fazer barulho nenhum. As conchas eram todas diferentes — uma cor-de-rosa, uma listrada de castanho, uma pequenina como a unha do teu dedo mindinho. E estavam arrumadas da maior para a mais pequena, como degraus de uma escadinha de areia. Ninguém as tinha deixado ali por acaso… pois não?
Com a pontinha do primeiro bracinho, Polvi levantou a concha maior. Pesava pouquinho, quase nada. E, quando a virou de boca para cima, um som saiu lá de dentro — plim. Claro e redondo, como uma gota a cair dentro de um copo. Polvi ficou com os olhos enormes. Uma concha que canta sozinha?
«Faz outra vez!» pediu Polvi, bem baixinho. «Por favor… faz outra vez.» Encostou a concha ao ouvido e esperou, quietinho, sem mexer uma única ventosa. Plim. Igualzinho ao primeiro. O polvo deu uma cambalhota inteira na água, com os oito bracinhos abertos como um guarda-chuva contente.
A segunda concha era a listrada. Polvi soprou lá dentro devagar, com muito cuidado, como quem sopra uma vela pequenina. Xuuu… respondeu ela. Um som comprido, de vento a passar por um túnel de areia. Nada, mas mesmo nada parecido com o plim. Duas conchas. Dois sons diferentes. O enigma tinha começado, e Polvi adorava enigmas mais do que qualquer outra coisa no mar inteiro.
Polvi sentou-se na areia e olhou para a fileira toda de uma vez. Oito conchas. Oito bracinhos. Isso não podia ser por acaso. Contou nos braços, tocando em cada um: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete… oito. Oito braços para oito conchas, um para cada uma. E tu — consegues contar até oito com ele, aí na tua cama, tocando nos dedos devagarinho?
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