Porque é que o meu avião de papel aterra num sítio diferente de cada vez?
Sente o avião de papel, lisinho entre os teus dedos, e zás! Atira-lo pela sala fora e ele aterra ao pé do sofá. Atiras outra vez e, desta vez, aterra perto da porta.
Tentaste atirá-lo exatamente da mesma maneira. Então, porque é que o teu avião de papel aterra num sítio diferente de cada vez? Vamos descobrir juntos.
Quando o largas, é o teu lançamento que dá velocidade ao avião. O ar empurra-o por baixo das asas largas, por isso ele plana em vez de cair a direito. Pouco a pouco, o avião vai mais devagar e depois desce suavemente até ao chão.
É a tua mão que dá esse empurrão, e nenhuma mão atira duas vezes exatamente da mesma maneira. Num lançamento, o avião sai mais depressa e plana mais longe. Noutro, sai mais devagar e aterra mais perto de ti.
A tua mão também inclina o bico do avião. O ângulo, que indica quanto o bico está inclinado para cima ou para baixo, também muda em cada lançamento. Com o bico bem para cima, o avião sobe, abranda e cai. Com o bico para baixo, mergulha depressa até ao chão.
Agora pensa em como o teu avião é leve. Uma folha de papel quase não pesa nada, por isso o empurrãozinho mais pequeno consegue tirá-lo do caminho. Mesmo quando ninguém lhe toca, há uma coisa na sala que o pode empurrar. O que achas que será?
É o próprio ar! O ar de uma sala está sempre a mexer-se, por causa de uma janela aberta, de uma porta que se abre e fecha ou de um aquecedor quentinho. Uma corrente de ar, que é ar a passar de um sítio para outro, pode ser tão fraquinha que nem a sentes, mas empurra um avião de papel leve para a esquerda ou para a direita, para cima ou para baixo.
As correntes de ar rodopiam e mudam de um momento para o outro. O ar que o teu avião encontra num voo não é o mesmo ar que encontra no voo seguinte. Por isso, cada voo leva um empurrão à sua maneira.
As pequenas diferenças vão crescendo pelo caminho. Um ângulo um bocadinho diferente na tua mão e uma corrente de ar a empurrar a meio do voo afastam o avião cada vez mais do caminho de antes. Quando aterra, já chegou a um sítio novinho em folha.
Ângulo e corrente de ar. O teu avião de papel aterra num sítio diferente de cada vez porque a tua mão o atira com uma velocidade e um ângulo um bocadinho diferentes, e as correntes de ar empurram o papel leve por um caminho novo.
Bons sonhos, pequeno piloto, e que o teu próximo avião de papel plane até um sítio maravilhoso.









