A gray rock with a crack in it beside a snowy path, with a broken piece lying next to it.A gray rock with a crack in it beside a snowy path, with a broken piece lying next to it.
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O gelo muda a paisagem · Episódio 1 de 2

Porque é que a água, quando congela, consegue rachar uma rocha?

Descobre como um pouco de água da chuva entra numa fenda de uma rocha, se transforma em gelo nas noites frias e empurra a fenda, vez após vez, até a rocha se partir. Pelo caminho, vais aprender o que querem dizer expandir-se e gelifração.

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Texto do episódio

Porque é que a água, quando congela, consegue rachar uma rocha?

Imagina um passeio de inverno ao pé de grandes rochas cinzentas. Passas os dedos por uma delas e sentes uma fenda fininha de lado a lado. Mesmo ao lado, há um pedaço de rocha partido, caído no chão.

Uma rocha é dura e forte, e a água é mole e faz salpicos. Então, como é que a água consegue partir uma coisa tão rija como a pedra? Porque é que a água, quando congela, consegue rachar uma rocha?

As rochas lá fora estão cheias de fendas fininhas, algumas tão finas como um cabelo. Quando chove, a água escorre para dentro dessas fendas. A água entra em qualquer buraquinho que encontre, por isso as fendas ficam cheias.

Depois chega a noite, e o ar fica tão frio como um congelador. A água escondida na fenda arrefece tanto que se transforma em gelo. O que achas que acontece à água quando vira gelo: fica mais pequena ou fica maior?

Fica maior! A água expande-se quando congela, o que quer dizer que se espalha e passa a ocupar mais espaço. Os seus pedacinhos minúsculos arrumam-se num padrão certinho, com pequenos espaços entre eles, por isso o gelo precisa de mais lugar do que a água precisava.

A água no cimo da fenda congela primeiro, como uma tampa, por isso o gelo lá em baixo não tem para onde ir. Ao expandir-se, empurra com força as duas paredes de rocha, por dentro. Esse empurrão obriga a fenda a abrir-se mais um bocadinho.

De manhã, o sol aquece a rocha, e o gelo derrete e volta a ser água. Como a fenda agora está mais larga, a água escorre mais para o fundo do que antes.

Quando chega a noite fria seguinte, a água volta a congelar. Cada vez que congela, o gelo também puxa mais água dos buraquinhos minúsculos da rocha à sua volta, por isso continua a crescer e alarga ainda mais a fenda. Os cientistas chamam a isto gelifração, que quer dizer o gelo a abrir uma fenda vez após vez, como um calço de porta enfiado numa frincha.

Noite após noite, inverno após inverno, a gelifração continua. Por fim, a fenda atravessa a rocha toda, e um pedaço parte-se e cai a rebolar. É por isso que encontras pedaços partidos nos caminhos de pedra e no sopé das escarpas das montanhas.

A água da chuva escorre para uma fenda fininha de uma rocha e, quando congela numa noite fria, a água expande-se e o gelo alarga a fenda. Noite após noite, a gelifração abre a fenda mais um bocadinho, até um pedaço da rocha se soltar.

Lá no alto da encosta fria, a grande rocha cinzenta descansa em silêncio debaixo das estrelas, com um fiozinho de gelo escondido bem dentro da sua fenda. Lá em baixo, o pedaço partido repousa no chão, mesmo onde o gelo o empurrou até ficar livre.

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