Como é que sabemos se os verões estão a ficar mais quentes?
Pensa numa tarde quente de verão, quando o sol te aquece os braços e o gelado te escorre pelos dedos. Se calhar já ouviste um adulto dizer que os verões eram mais frescos quando era pequeno.
Mas sentir não é o mesmo que saber. As memórias pregam partidas, e um dia abafado pode parecer um verão inteiro de calor. Então, como é que sabemos se os verões estão mesmo a ficar mais quentes?
Os cientistas que estudam o tempo começam numa estação meteorológica, que é um sítio especial onde um termómetro mede o ar. O termómetro fica numa caixa branca, à sombra, com fendas estreitas que deixam o ar passar. Assim, o sol não lhe bate diretamente e o número mostra só a temperatura do ar.
O termómetro mede o ar o dia todo, e os cientistas guardam o número mais alto de cada dia. Guardam-nos ano após ano, e cada estação meteorológica fica com uma lista muito comprida. Algumas começaram há mais de cem anos.
Só que um dia quente sozinho diz-nos pouco. Uma semana fresca e chuvosa pode vir logo a seguir a uma escaldante, porque o tempo varia muito. Por isso, os cientistas olham para todos os dias de um verão.
Para cada verão, calculam a média, que é o número que dá quando repartimos o calor de todos os dias por igual. Imagina três dias com vinte, vinte e dois e vinte e quatro graus. Se repartires esses valores por igual, a média é vinte e dois, mesmo no meio. Agora, um só número conta a história de um verão inteiro.
Imaginemos uma vila e a sua estação meteorológica. Os cientistas põem as médias dos verões de quando a tua avó era criança ao lado das de hoje. Alinham-nas, ano a ano, como contas num fio. O que achas que veem quando as comparam?
As médias de hoje são mais altas do que as de há muito tempo. Nessa vila, os verões estão cerca de um grau mais quentes do que no tempo da avó. Um grau parece pouquinho, mas a média de um verão só sobe quando os dias desse verão são mais quentes, dia após dia.
Mas uma vila pode ser um caso especial, por isso os cientistas verificam outras estações meteorológicas. Olham para milhares delas, em terras quentes e frias, junto ao mar e nas montanhas. Em quase todo o lado, as médias também sobem, e é assim que sabemos que os verões na Terra estão a ficar mais quentes.
Os cientistas guardam o número mais alto de cada dia de verão em estações meteorológicas de todo o mundo e calculam a média de cada verão. Quando comparam essas médias, as dos verões de hoje são mais altas do que as dos verões de há muito tempo, por isso sabemos que os verões estão a ficar mais quentes.
Nas vilas, nas montanhas e junto ao mar, pequenas caixas brancas ficam sossegadas, verão após verão. Lá dentro, um termómetro mede o ar quente, e os cientistas juntam mais um número à lista comprida.









