

Glimo, Plenya e o Jardim de Luz
Dois vaga-lumes muito diferentes descobrem um jardim que esqueceu como florescer — e que nenhum dos dois consegue acordar sozinho.
- 1As duas luzinhas3:07
- 2O jardim que esqueceu de florescer3:17
- 3Cada um do seu jeito3:20
- 4O plano das duas luzes2:53
- 5Pétala por pétala3:04
A noite chegou devagar ao vale, como um cobertor azul-escuro. O capim ainda guardava o calor do dia lá no fundo das raízes. E no ar, bem alto, duas luzinhas pequenas começaram a acender… uma branca e rápida, outra dourada e calma. Eram dois vaga-lumes, e eram muito diferentes um do outro.
Glimo não conseguia ficar parado nem um segundo. Ele riscava o escuro com a barriguinha acesa, desenhando espirais, zigue-zagues e estrelas tortas. A luz dele ficava no ar um instante — e sumia. «Olha! Olha o que eu fiz!», ele gritava, já voando para o outro lado do campo. Ninguém nunca tinha conseguido acompanhar o Glimo até o fim de um desenho.
Plenya voava baixinho, pertinho das folhas. Ela acendia devagar, um brilho morno cor de mel, e só onde alguém precisava: em cima de um caracol perdido, na beirada de uma poça, no caminho de uma formiga atrasada. Depois esperava, quietinha, até o caminho ficar seguro. E só então seguia adiante, sem pressa nenhuma.
«Plenya… por que você brilha tão devagar?», perguntou Glimo, dando três cambalhotas no ar. «Ninguém consegue ver você de longe assim!» «Eu já atravessei o campo inteiro enquanto você acendia uma folha só. Vem comigo! A gente pode fazer um rastro que chega até a lua.»
«Eu não brilho para longe», respondeu Plenya, pousando na ponta de um junco. «Eu brilho para perto.» Ela apontou com a luz para um besouro pequenininho que tinha caído de costas na terra. «Ele estava com medo do escuro. Agora não está mais. Isso também é uma coisa, Glimo.»
Foi então que o vento trouxe um cheiro estranho. Não era cheiro de flor, nem de fruta madura. Era cheiro de coisa esquecida — de terra seca, de folha velha, de portão enferrujado. Os dois vaga-lumes pararam no ar ao mesmo tempo, as asinhas ainda zumbindo. E olharam para o mesmo lugar.
Lá embaixo, atrás de um muro baixo coberto de musgo, havia um jardim. Ou o que um dia tinha sido um jardim. Os canteiros estavam cinzentos. Os galhos, tortos e sem folha. E no meio de tudo, dezenas de botõezinhos fechados, duros como nozes, sem coragem nenhuma de abrir.
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