Uma forma em Marte que parece um fóssil é mesmo um fóssil?
Já alguma vez olhaste para uma nuvem e viste um coelho ou um dragão? Os teus olhos adoram encontrar formas que já conhecem. As pessoas fazem o mesmo com as fotografias de Marte. Numa fotografia, uma pequena pedra em Marte parece mesmo um osso antigo.
Então, uma forma em Marte que parece um fóssil é mesmo um fóssil? Vamos descobrir juntos, pedra a pedra.
Primeiro, como é que as pessoas conseguem ver as pedras de Marte? Os cientistas enviam um rover, que é um carro robô que eles conduzem de muito longe, cá da Terra. O rover anda por cima da poeira vermelha e tira fotografias de perto às pedras, para os cientistas as poderem estudar.
Um fóssil verdadeiro é a forma de algo que já esteve vivo, como uma concha ou um osso, que a pedra guardou durante muitíssimo tempo. Por isso, um fóssil verdadeiro em Marte mostraria que já viveram seres vivos lá.
Os cientistas ampliam as fotografias que o rover tirou à pedra em forma de osso. Procuram os buraquinhos, os anéis e os desenhos que um osso verdadeiro deixa. Não encontram nenhum, só pedra simples, igualzinha às pedras à volta.
Aquela forma de osso tem de vir de outra coisa. Marte é um planeta seco e poeirento, e lá sopram ventos fortes, dia após dia. O que achas que esses ventos levam consigo que consegue raspar uma pedra até lhe dar uma forma nova?
Os ventos levam grãozinhos de areia! A areia esfrega a pedra vezes sem conta, como uma lixa a passar na madeira. Isto chama-se erosão, que quer dizer o vento e a areia a gastarem a pedra devagarinho.
A erosão raspa as partes moles da pedra mais depressa do que as partes duras. As partes duras ficam para trás, como bossas, pauzinhos e curvas. Passado muito tempo, uma pedra pode ficar com a forma de um osso, de uma concha ou até de uma florzinha.
Por isso, a pedra em forma de osso não é fóssil nenhum. É pedra simples que a erosão esculpiu, e ainda ninguém encontrou um fóssil verdadeiro em Marte.
Rover, erosão. O vento e a areia esculpem as pedras de Marte em formas de osso através da erosão, e as fotografias de perto do rover mostram aos cientistas que essa forma é pedra simples, e não um fóssil verdadeiro.
Da próxima vez que vires uma forma numa nuvem ou numa pedra, podes sorrir e pensar no que a terá feito, pequeno detetive de pedras.









