Porque é que a chuva ensopa o cartão, mas escorre pelo plástico?
Imagina uma tarde de chuva. Uma caixa de cartão está ao pé da porta, e mesmo ao lado está um balde de plástico. As gotas de chuva batem nos dois, pim, pim, pim. Se lhes tocasses mais tarde, a caixa estaria mole e encharcada, e o balde estaria liso, com gotas a escorregar pelos lados.
Os dois apanharam exatamente a mesma chuva. Então, porque é que a chuva ensopa o cartão, mas escorre pelo plástico? Vamos espreitar bem de perto e descobrir.
O cartão é feito de papel. Se olhasses para o papel muito de perto, verias fibras, que são fiozinhos de madeira tão finos como cabelos. Milhares destas fibras estão cruzadas umas por cima das outras, como um monte de cordel todo emaranhado.
As fibras nunca encaixam na perfeição, por isso ficam pequenos espaços entre elas por todo o lado. Esses espaços são pequenos demais para os teus olhos verem, mas tornam o cartão parecido com uma esponja. Deixam lugar para a água entrar.
A água agarra-se às fibras, como uma meia molhada se agarra ao teu pé. Por isso, cada gota de chuva vai deslizando pelas fibras e mete-se nos espaços. O cartão começa a absorver a chuva, ou seja, a puxá-la toda para dentro de si.
Quando o cartão absorve água, as fibras molhadas incham e soltam-se umas das outras. É por isso que uma caixa à chuva fica mole e sem firmeza. Agora pensa no balde de plástico. O que achas que falta ao plástico, para a chuva não conseguir entrar?
O plástico não tem espaços nenhuns. As suas partes mais pequeninas estão bem apertadas umas contra as outras, numa camada lisa e sólida, sem fibras e sem espaços pelo meio. Sem sítio por onde entrar, a água fica cá fora, e por isso o plástico não consegue absorver a chuva.
E a água também não se agarra ao plástico. Em vez disso, cada gota agarra-se a si própria e encolhe-se numa bolinha redonda. É por isso que um impermeável de plástico fica coberto de bolinhas brilhantes quando chove.
Uma bolinha redonda quase não tem nada que a prenda ao plástico, por isso escorrega e rola pela descida abaixo. Gota atrás de gota, a água vai rolando, e o plástico por baixo fica seco.
Duas palavras para guardar: fibras e absorver. A chuva ensopa o cartão porque a água se agarra às fibras e entra nos espaços entre elas, mas o plástico não tem espaços nem nada a que a água se agarre, por isso a chuva escorre.
Da próxima vez que a chuva bater na janela, vais saber para onde vai cada gota, por isso aconchega-te, quentinho e seco.









