Como é que pedrinhas redondas mostram que Marte já teve rios?
Já alguma vez apanhaste uma pedrinha à beira de um riacho? Imagina que lhe passas o polegar por cima. É lisa e redonda, sem nenhum canto afiado.
Lá longe, o planeta Marte é frio e seco, coberto de pó vermelho e de rochas. Hoje não corre lá nem um rio. Então, como é que pedrinhas redondas mostram que Marte já teve rios?
Cada pedrinha começa por ser um bocado de rocha partido e afiado. Quando uma rocha grande racha, soltam-se pedaços com pontas bicudas, como uma bolacha partida. Um bocado acabado de partir tem cantos por todos os lados.
Depois, a água do rio apanha esse bocado e fá-lo rolar pelo fundo. A água corre com força e empurra-o durante muitos quilómetros, por isso ele bate e raspa noutras pedras vezes sem conta. O que achas que acontece a todos aqueles cantos afiados?
Cada pancada arranca um bocadinho, e os cantos vão-se gastando até a pedra ficar redonda e lisa. Os cientistas chamam a isto erosão, que quer dizer a água e as pedras a gastarem a rocha devagarinho. A pedrinha do teu riacho ganhou a forma que tem exatamente assim.
O vento não tem força para fazer rolar uma pedra do tamanho de uma uva durante muitos quilómetros. Só a água a correr a consegue empurrar para tão longe, pancada após pancada. Por isso, quando vês que a erosão deixou uma pedrinha redonda, ficas a saber que ali já correu água.
Para procurar pistas em Marte, os cientistas enviaram um rover, que é um carro robô que anda pelo chão de outro mundo. Lá da Terra, os cientistas conduzem-no e espreitam pelas câmaras dele. Nas fotografias do rover, descobriram pedrinhas redondas e lisas presas na rocha.
Os cientistas observaram com atenção a forma de cada pedrinha que o rover encontrou. Eram tão lisas e redondas como as do teu riacho. Isso quer dizer que, um dia, um rio correu por este chão rochoso de Marte.
Esses rios secaram há muito, muito tempo. Mas as pedrinhas redondas ficaram mesmo onde a água as deixou, como um bilhete que o rio escreveu e deixou para trás.
Duas palavras para guardares: erosão e rover. Há muito tempo, a água dos rios de Marte fez rolar pedras afiadas até a erosão as deixar redondas, e por isso, quando o rover encontrou essas pedrinhas redondas, os cientistas souberam que ali já tinham corrido rios.
Da próxima vez que tiveres uma pedrinha lisa na mão, podes pensar nos rios antigos de Marte e sorrir enquanto adormeces.









