O que consegue ver uma câmara escondida na floresta?
Já passeaste na floresta e ouviste um raminho a estalar atrás de ti? Viraste-te e não viste nada. Um animal ouviu-te chegar e escapuliu-se para se esconder.
Agora imagina uma pequena câmara escondida na floresta, pintada de castanho e verde, como a casca das árvores. Assim, parece fazer parte de uma árvore. O que consegue ver uma câmara escondida na floresta?
Primeiro, um guarda-florestal prende a câmara com uma cinta a uma árvore, junto de um caminho estreito usado pelos animais. Depois, afasta-se para bem longe. Muitos animais da floresta ficam escondidos quando há pessoas por perto. Por isso, o guarda-florestal deixa o caminho sossegado e vazio para eles.
Dentro da câmara há um sensor, uma pequena peça que deteta algo quente a mexer-se à sua frente. A câmara espera em silêncio. Só tira fotografias quando o sensor deteta alguma coisa.
Quando um animal de corpo quente entra no caminho, o sensor deteta a mudança e manda a câmara fotografar. Clique, clique, clique! A câmara tira várias fotografias seguidas, para apanhar o animal enquanto ele passa.
Durante o dia, a câmara vê os animais que passam pelo caminho à luz do dia. Um veado avança com as suas pernas fininhas. Um esquilo passa a correr com uma noz na boca. A câmara fotografa cada um porque o sensor detetou o calor do seu corpo.
Muitos animais da floresta são noturnos, ou seja, ficam acordados de noite e dormem de dia. As corujas, as raposas e os guaxinins saem quando a floresta fica escura. Um clarão forte iria assustá-los e fazê-los fugir. Como achas que a câmara consegue fotografá-los?
A câmara emite uma luz especial que os nossos olhos não veem, mas que ela consegue ver. Essa luz permite que o animal apareça na fotografia, mesmo no escuro. Quando uma raposa passa a trotar à meia-noite, o sensor deteta o seu calor e a câmara dispara. As fotografias da noite ficam em cinzento, preto e branco.
Como não está nenhuma pessoa por perto, os animais comportam-se como quando estão sozinhos. A câmara vê uma mãe raposa com as suas crias a rebolar nas folhas. Vê também um guaxinim noturno a cheirar a câmara com o focinho pontiagudo. Está curioso com aquela caixa estranha na árvore.
Sensor, noturno. Uma câmara escondida vê os animais selvagens que passam à sua frente de dia e de noite, porque o sensor faz a câmara tirar uma fotografia sempre que um corpo quente se mexe, mesmo sem ninguém por perto.
Dorme bem, e talvez esta noite uma pequena raposa passe a trotar diante de uma câmara silenciosa na floresta.









