Maron, Tarka e o Caminho das Águas Fundas
Pronta per l'ascolto· Capitolo 1 di 5
Maron, Tarka e o Caminho das Águas Fundas
6+16 minpt
Pronta per l'ascolto
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15:55
Capitoli
  • 1O canto com um degrau faltando3:29
  • 2O desfiladeiro de coral2:58
  • 3A planície de areia branca3:06
  • 4A fresta onde a luz desce3:19
  • 5A parte que faltava3:03
Testo sincronizzato

Testo della fiaba

O canto com um degrau faltando
Maron, Tarka e o Caminho das Águas Fundas

O mar estava morno e azul naquela manhã. Maron subiu devagar até a superfície e soltou um jato alto e branco, que virou névoa no sol. Era o dia da grande travessia — o mesmo dia, todos os anos. E Maron sabia o caminho de cor, do começo ao fim. Ou pelo menos… achava que sabia.

Foi então que ela começou a cantar. As primeiras notas saíram redondas e graves, e a água tremeu um pouquinho em volta dela. Os peixinhos pararam no meio do nado para escutar. Mas no meio do canto… apareceu um buraco. Um pedaço que simplesmente não veio. Maron parou, sem entender.

Ela tentou outra vez, bem mais devagar. Nota, nota, nota — e de novo o silêncio, no mesmo lugar exato. Era como subir uma escada e descobrir que faltava um degrau bem no meio. Maron ficou boiando, quietinha. Aquele canto tinha sido ensinado pela mãe dela, quando ela ainda era do tamanho de um bote.

— Você parou no meio — disse uma voz tranquila, vindo lá de baixo. Era Tarka, a tartaruga, subindo sem pressa nenhuma, remando com as patas largas. — Escutei tudo daqui debaixo. Faltou um trecho, não faltou? — Faltou — respondeu Maron. — E é justamente o trecho que me mostra o caminho.

Tarka deu uma volta lenta em torno do focinho enorme de Maron. O casco dela era cheio de riscos claros e manchinhas gastas, parecido com um mapa muito velho. Maron olhou aqueles desenhos e perguntou quantas travessias a tartaruga já tinha visto passar. Tarka piscou devagar, como quem conta de cabeça.

— Muitas — disse Tarka. — E nenhuma igual à outra. — Então me diga o que eu faço — pediu Maron. — Sem esse pedaço, eu não sei nadar até lá. — Fácil — respondeu a tartaruga. — A gente refaz o caminho devagarinho. Parada por parada. O canto mora nos lugares, não dentro da sua cabeça.

Maron bateu a cauda uma vez só, e uma onda inteira saiu correndo pelo mar. Ela gostou daquela ideia — devagar, com companhia, sem pressa de chegar. Tarka já ia na frente, minúscula perto dela, apontando o focinho para o sul. E assim as duas partiram, sob um céu cor de melão.

O primeiro trecho foi calmo. A água mudava de azul-claro para azul-fundo, e o sol virava listras compridas que escorregavam pelas costas de Maron. De vez em quando ela tentava o canto de novo. As notas iam bonitas… até o buraco. Então Tarka dizia, sem se virar: — Guarde. A próxima parada é logo ali.

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