

Bramo e a Trilha das Samambaias
Um veado gentil leva um filhote perdido de volta ao ninho, ensinando a ler as marcas do caminho.
- 1O piu-piu entre as folhas3:06
- 2As marcas do caminho3:01
- 3O ninho na curva3:04
A manhã chegou verdinha por baixo das samambaias. As folhas se abriam como leques grandes, uma em cima da outra, e o sol pingava entre elas em bolinhas douradas. Bramo, o veado de chifres pequeninos, atravessava a trilha com passos leves. Tap… tap… tap. Ele conhecia cada curva daquele mato alto de cor.
De repente, ele parou. Um som fininho vinha lá de baixo. Não era o vento. Não era a água. Era um piu-piu tremido, quase escondido no chão molhado. Bramo abaixou a cabeça devagar e afastou uma folha com o focinho — e ali estava um passarinho pequenininho, todo despenteado, com as penas cheias de orvalho.
— Bom dia, penuguinho — disse Bramo. — Você caiu do céu, ou do ninho? O passarinho abriu os olhos redondos e engoliu em seco. — Eu voei um pouquinho longe demais… e agora todas as samambaias são iguais! Verde, verde, verde. Eu não sei mais onde fica a minha casa.
Bramo balançou as orelhas devagarinho. Ele sabia como o mundo fica grandão quando a gente é pequeno. Deu um passo para o lado, para fazer sombra em cima do filhote, e cheirou o ar com calma. Cheiro de folha nova. Cheiro de terra úmida. E, bem lá longe, um cheirinho fresquinho que ele conhecia muito bem.
— Já sei! — disse Bramo. — Você vai viajar em cima da minha cabeça. Bem no meio, entre os meus chifres pequeninos. Dali de cima dá para enxergar a floresta inteirinha. O passarinho deu um pulinho no chão. — Em cima da sua cabeça? De verdade? — De verdade. Segura firme, viajante.
O filhote bateu as asinhas, subiu pela pata do veado, escorregou uma vez — e conseguiu! Se ajeitou entre os dois chifrinhos como quem senta numa cadeira feita só para ele. Lá de cima, o mundo inteiro mudou. As samambaias viraram um mar verde, e a trilha apareceu, fininha, se enrolando entre elas.
Dali do alto, o passarinho viu uma joaninha caminhando numa folha e uma gota de orvalho escorregando devagarinho até a pontinha. Plop. A gota caiu. E o medo dele foi ficando pequeno, pequeno, do tamanho de uma sementinha guardada no bolso. — Estou pronto — piou baixinho. — Pode andar, Bramo.
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