

A Grande Aventura das Lanterninhas
Estreluz e o duende Pirilim viajam por nuvens e rios de luar para reacender as lanterninhas que guiam as crianças até os sonhos.
- 1A estrelinha que desceu do céu3:25
- 2As nuvens macias3:28
- 3As ilhas de estrelas3:39
- 4O rio de luar3:27
- 5A última lanterninha e a porta dos sonhos3:26
Era uma noite tão quieta… que até o vento resolveu dormir. Lá no alto, entre nuvens macias, morava uma estrelinha chamada Estreluz. Ela brilhava baixinho, como uma luz de quarto. E gostava de ver as crianças adormecerem, uma a uma, pelo mundo todo.
Naquela noite, porém, alguma coisa estava diferente. O céu parecia mais escuro do que de costume — sem aquele caminho de luzinhas que levava ao mundo dos sonhos. Estreluz piscou uma vez… depois outra. Onde estavam as lanterninhas mágicas?
Todas as noites, pequeninas lanternas se acendiam no céu. Elas faziam um caminho dourado, macio, para cada criança seguir até o sono. Mas agora… o caminho estava apagado. Escurinho. E sem ele, as crianças podiam se perder antes de chegar aos sonhos.
Estreluz sentiu o coraçãozinho apertar. Lá embaixo, bem longe, uma criança virava na cama, sem encontrar o caminho certo. — Eu preciso ajudar… — sussurrou a estrelinha, bem baixinho. — Preciso acender de novo cada lanterninha.
Então Estreluz respirou fundo, como quem junta coragem devagar. Ela soltou-se da nuvem com cuidado… e começou a descer, flutuando, leve como uma pena. O ar da noite era morno e cheirava a sono. Tudo estava silencioso e doce.
Ela pousou numa nuvem baixinha, fofa como um travesseiro. Foi aí que ouviu um som engraçado… um risinho escondido. — Quem está aí? — perguntou Estreluz, devagar. A nuvem tremeu um pouquinho, e duas orelhinhas espiaram por trás dela.
Era um duende pequenininho, de gorro torto e olhos brilhantes. — Eu sou o Pirilim! — disse ele, dando uma cambalhota mole no ar. — E você parece preocupada, estrelinha. Posso ajudar? Eu conheço o céu inteirinho de cor.
Estreluz contou tudo, com a vozinha mansa. Falou das lanternas apagadas, do caminho escuro, das crianças que não achavam o sono. Pirilim escutou com atenção, balançando o gorro. — Então vamos juntos — disse ele, baixinho. — Eu adoro acender luzinhas.
Os dois apertaram as mãozinhas, ali na nuvem macia. Estreluz sorriu, e seu brilho ficou um tiquinho mais quente. — Obrigada, Pirilim — disse ela. — Sozinha, eu tinha medo. Acompanhada… o medo já parece bem menorzinho.
E assim, sem pressa nenhuma, a aventura mais suave da noite começou. Lado a lado, a estrelinha e o duende olharam para o céu escurinho. Lá longe, mal se via a primeira lanterninha apagada, esperando, quietinha, por um pouco de luz.
Pirilim apontou o caminho com o dedinho. — Por ali — disse ele, num sussurro. — É só seguir devagar, pisando nas nuvens. Estreluz concordou com um aceno mansinho, e os dois deram o primeiro passo, leve, leve… rumo à viagem.
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