

Faísca e a Floresta dos Sonhos Corajosos
Quando o pequeno Tomás tem medo de adormecer, Faísca surge piscando e leva-o a uma floresta de nuvens roxas onde a coragem mora no coração.
- 1A noite em que o sono não chegava4:39
- 2A floresta de nuvens roxas4:34
- 3As faíscas de coragem5:05
- 4O clareira dos corações4:43
- 5O amanhecer dos sonhos4:49
Era uma vez uma noite muito quietinha, daquelas em que até as estrelas pareciam estar a dormir. No seu quarto pequenino, o Tomás estava deitado de olhos bem abertos. A luz da lua escorregava pela janela… e desenhava sombras macias na parede. Lá fora, tudo dormia. Só o Tomás é que não.
Ele puxou o cobertor até ao nariz e suspirou baixinho. O coração dele batia um pouquinho depressa demais. — Não consigo dormir — sussurrou Tomás para o escuro. — Tenho medo dos sonhos ruins… dos que vêm quando fecho os olhos.
O quarto ficou em silêncio, como se estivesse a ouvir. E então… aconteceu uma coisa muito pequenina e muito mágica. No canto do tecto, uma luzinha começou a brilhar. Primeiro fraquinha, depois um bocadinho mais forte… como uma estrela que tinha decidido descer só para ele.
A luzinha piscou uma vez… duas vezes… e saltitou no ar. Era redonda e morna, da cor de um pôr do sol guardado num frasco. O Tomás arregalou os olhos, sem se mexer. A luzinha aproximou-se devagarinho e parou mesmo em cima do seu nariz.
— Olá, Tomás — disse a luzinha, com uma vozinha quente e brincalhona. — Eu sou a Faísca. Vim porque ouvi o teu coração a tremer um bocadinho. O Tomás engoliu em seco. — Tu… falas? — perguntou ele, muito baixinho.
— Falo, claro que falo — riu-se Faísca, dando uma cambalhota no ar. — E também sei dançar, e piscar, e fazer cócegas de luz. Mas, esta noite, vim para uma coisa muito mais importante. Vim ajudar-te a não ter medo do escuro.
O Tomás encolheu-se um pouquinho debaixo do cobertor. — Mas os sonhos ruins são grandes — confessou ele. — E têm dentes, e fazem barulhos, e escondem-se nos cantos. Faísca aproximou-se mais, espalhando uma luz morna por todo o lençol.
— Eu sei que parecem grandes — disse Faísca com doçura. — Mas vou contar-te um segredo pequenino. Os monstros dos sonhos só são assustadores até alguém acender uma luz ao lado deles. E eu… eu sou uma luz que nunca se apaga.
O Tomás olhou para a Faísca, e qualquer coisa quentinha mexeu-se dentro do peito dele. — E se… e se eu fosse contigo? — perguntou ele, baixinho. — Para onde? — A Faísca deu uma piruetinha feliz e brilhou mais forte. — Para a Floresta dos Sonhos Corajosos.
— Existe mesmo uma floresta assim? — sussurrou o Tomás, já meio sentado na cama. — Existe — respondeu Faísca. — Fica logo ali, atrás das pálpebras. Só temos de fechar os olhos com muita calma… e dar a primeira faísca de coragem.
Então, a Faísca aproximou-se do peito do Tomás e soltou uma centelha pequenina e morna. O Tomás sentiu-a a acender-se devagarinho, como uma luzinha que se liga lá dentro. O medo encolheu só um bocadinho. E, pela primeira vez naquela noite, ele sorriu.
— Estás pronto? — perguntou Faísca, mansinha. O Tomás respirou fundo… e fechou os olhos com toda a calma do mundo. À volta dele, o quarto começou a desmanchar-se em luz roxa e suave. E a aventura mais doce de todas estava prestes a começar.
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