
Talo e a Toca Aconchegante
O texugo Talo mostra a um ouriço pequenino que, lá dentro da toca, o escuro é macio e quentinho.
- 1A portinha redonda de terra2:22
- 2O escuro vira cobertor2:54
Sobre esta história
O texugo Talo cavou a toca mais aconchegante da floresta, e esta noite tem um hóspede bem pequenininho que não gosta do escuro. Devagarinho, Talo mostra-lhe que ali dentro o escuro é macio: tem cheirinho de terra molhada, tem o barulhinho das raízes a acomodar-se, tem um coraçãozinho a bater devagar. Ele apalpa cada cantinho e repete "aqui é seguro, aqui é seguro", até o escuro deixar de ser um buraco fundo e virar só um cobertor grosso e quentinho. Uma história curtinha, repetitiva e macia, feita para os olhos irem fechando sozinhos.
A noite chegou devagarinho à floresta, como um cobertor que alguém puxou até ao queixo. Debaixo das raízes grossas do carvalho havia uma portinha redonda de terra. Era a toca do texugo Talo — a toca mais aconchegante de todas. E hoje… a toca tinha um hóspede bem pequenininho. Um ouriço miúdo, com os espinhos ainda molinhos.
O ouriço parou à entrada e não avançou. Lá dentro estava escuro. Escuro de verdade, escuro até ao fundo. Ele encolheu-se numa bolinha, e os espinhos fizeram um som miudinho — chhh. “E se o escuro morder?”, perguntou baixinho, quase sem voz. Talo sentou-se ao lado dele, sem pressa nenhuma.
“O escuro não morde”, disse Talo. “O escuro daqui é macio. Dá para lhe tocar com a pata, olha…” Ele estendeu a pata e passou-a pela parede de terra, devagar, muito devagar. “Estás a ver? Não é uma parede. É um cobertor grosso. Um cobertor feito de floresta inteira, que eu cavei com estas patas todas.”
O ouriço deu um passinho. Depois outro. Lá dentro havia cheirinho de terra molhada — aquele cheiro bom que fica depois da chuva. O chão era de folhas secas e musgo, e afundava um bocadinho debaixo das patas, tuf, tuf. E estava quentinho. Muito mais quentinho do que lá fora.
Talo apalpou o primeiro cantinho, com a pata bem aberta. “Aqui é seguro”, disse ele. Depois apalpou o segundo, mesmo junto às raízes. “Aqui também é seguro.” E o terceiro. E o quarto. E o cantinho pequenino lá ao fundo, onde cabia só um ouriço. “Aqui é seguro. Tudo isto é seguro.”
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