Talo e a Toca Aconchegante
Pronta para ouvir· Capítulo 1 de 2
Talo e a Toca Aconchegante
2+5 minpt
Pronta para ouvir
0:00
5:16
Capítulos
  • 1A portinha redonda de terra2:22
  • 2O escuro vira cobertor2:54

Sobre esta história

O texugo Talo cavou a toca mais aconchegante da floresta, e esta noite tem um hóspede bem pequenininho que não gosta do escuro. Devagarinho, Talo mostra-lhe que ali dentro o escuro é macio: tem cheirinho de terra molhada, tem o barulhinho das raízes a acomodar-se, tem um coraçãozinho a bater devagar. Ele apalpa cada cantinho e repete "aqui é seguro, aqui é seguro", até o escuro deixar de ser um buraco fundo e virar só um cobertor grosso e quentinho. Uma história curtinha, repetitiva e macia, feita para os olhos irem fechando sozinhos.

Texto sincronizado

Texto da história

A portinha redonda de terra
Talo e a Toca Aconchegante

A noite chegou devagarinho à floresta, como um cobertor que alguém puxou até ao queixo. Debaixo das raízes grossas do carvalho havia uma portinha redonda de terra. Era a toca do texugo Talo — a toca mais aconchegante de todas. E hoje… a toca tinha um hóspede bem pequenininho. Um ouriço miúdo, com os espinhos ainda molinhos.

O ouriço parou à entrada e não avançou. Lá dentro estava escuro. Escuro de verdade, escuro até ao fundo. Ele encolheu-se numa bolinha, e os espinhos fizeram um som miudinho — chhh. “E se o escuro morder?”, perguntou baixinho, quase sem voz. Talo sentou-se ao lado dele, sem pressa nenhuma.

“O escuro não morde”, disse Talo. “O escuro daqui é macio. Dá para lhe tocar com a pata, olha…” Ele estendeu a pata e passou-a pela parede de terra, devagar, muito devagar. “Estás a ver? Não é uma parede. É um cobertor grosso. Um cobertor feito de floresta inteira, que eu cavei com estas patas todas.”

O ouriço deu um passinho. Depois outro. Lá dentro havia cheirinho de terra molhada — aquele cheiro bom que fica depois da chuva. O chão era de folhas secas e musgo, e afundava um bocadinho debaixo das patas, tuf, tuf. E estava quentinho. Muito mais quentinho do que lá fora.

Talo apalpou o primeiro cantinho, com a pata bem aberta. “Aqui é seguro”, disse ele. Depois apalpou o segundo, mesmo junto às raízes. “Aqui também é seguro.” E o terceiro. E o quarto. E o cantinho pequenino lá ao fundo, onde cabia só um ouriço. “Aqui é seguro. Tudo isto é seguro.”

Warmnest— 1 / 5 —
Avaliação da história
0.0
0 avaliações
5 0
4 0
3 0
2 0
1 0
Sua avaliação

Toque em uma estrela para avaliar a história

Comentários

Comentários

Comentários

0 avaliações

Entre para deixar uma avaliação

Somente usuários cadastrados podem escrever comentários — assim mantemos um ambiente caloroso e seguro.

Para quem gostou desta história

Histórias parecidas

Contos parecidos

Contos tranquilos com a mesma atmosfera — sobre amizade, a escuridão e as vozes gentis da floresta noturna.