
Orsan Conta os Bocejos
O ursinho Orsan conta os bocejos da floresta, um a um, até adormecer com o mel ainda nos bigodes.
- 1Um bocejo, dois bocejos2:42
- 2Três bocejos devagarinho2:40
Sobre esta história
Está quase noite na beira da mata e o ursinho Orsan tem os olhos pesadinhos. Um bocejo do coelhinho, dois bocejos do passarinho, três bocejos do rio devagarinho — cada bocejo contagia o amiguinho seguinte, e a contagem vai ficando mais lenta, mais baixinha, mais molinha. Uma história de ritmo simples e voz suave, feita para os ouvintes mais pequeninos adormecerem contando junto com o Orsan.
A floresta estava quase a dormir. O céu ficou cor de mel… devagarinho… e as sombras deitaram-se entre as árvores altas. Na tocazinha à beira da mata, o ursinho Orsan enroscou-se nas folhas secas e mornas. Tinha as patas quentinhas. Tinha os bigodes docinhos de mel. E tinha os olhos… assim… tão pesadinhos.
Orsan abriu a boca bem devagar. Ahhh… um bocejo pequenino, morninho, que lhe encheu todo o focinho. E logo ali, atrás de um tufo de erva, alguém bocejou também. Era o coelhinho. As orelhas dele caíram para trás — pumba — molinhas como duas folhas cansadas. Depois piscou os olhinhos redondos. E Orsan contou baixinho: um.
— Um bocejo… — sussurrou Orsan, com a pata debaixo da bochecha. — Um bocejo do coelhinho. Os bocejos são como abraços pequeninos, sabes? Passam de um amiguinho para o outro… devagarinho… devagarinho. E depois toda a floresta fica molinha, e quentinha, e pronta para sonhar. Vamos contar juntos… sim?
O coelhinho bocejou outra vez, só um bocadinho. E o bocejo subiu pelo tronco da nogueira, saltou de ramo em ramo, por entre as folhas… até chegar ao ninho do passarinho. O passarinho arrepiou as penas todas. Bocejou uma vez — piu — e bocejou duas, com o biquinho aberto. Dois bocejos, contou Orsan, muito devagar. Um… dois.
O vento passou entre as folhas e fez um som muito manso, como uma mão a alisar um cobertor. As estrelas acenderam-se uma a uma, sem pressa nenhuma. Orsan aconchegou o nariz na pata. A barriguinha subia… e descia… subia… e descia. E lá ao longe, junto às pedras, ainda faltava um bocejo para contar.
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