

Nyta Conta a Última História
A coruja Nyta guarda a floresta adormecida e conta sempre uma última história — mas hoje o ouriço Hessi é tímido demais para pedir a dele.
- 1O carvalho de Nyta3:06
- 2A história do ouriço Pico3:08
- 3A pergunta de Hessi3:28
A noite chegou devagarinho à floresta, como quem não quer acordar ninguém. As folhas pararam de conversar. O vento deitou-se entre as raízes frias… e ficou quieto. Lá no alto do carvalho mais velho, dois olhos redondos acenderam-se, dourados como duas lanternas pequeninas. Era Nyta, a coruja, a começar a sua vigília.
Nyta esticou uma asa, depois a outra. As penas fizeram um som macio, parecido com um lençol a ser dobrado. Lá em baixo, a floresta arrumava-se para dormir: os esquilos enrolavam as caudas, os melros escondiam o bico debaixo da asa, e os cogumelos brilhavam de leve na terra húmida. Estava tudo quase pronto.
Da sua janela de folhas, Nyta via o caminho todo: a poça pequena a guardar um pedaço de lua, o formigueiro já fechado, a teia da aranha cheia de gotinhas. Contou os vaga-lumes com os olhos — um, dois, sete — e ficou satisfeita. Ninguém estava perdido esta noite.
Faltava só uma coisa. Todas as noites, antes do silêncio grande, Nyta contava uma última história. Era um costume antigo — tão antigo quanto o carvalho. Nessa noite, porém, um ruído miudinho veio dos fetos. Chuc… chuc… chuc. Passinhos curtos, com pressa e sem pressa ao mesmo tempo.
— Boa noite, Hessi — disse Nyta, sem virar a cabeça. — A relva está fresquinha hoje, não está? Podes ficar aí, se quiseres. O melhor lugar para ouvir é mesmo debaixo do carvalho, onde as raízes fazem uma cadeirinha pequenina. Eu ia começar agora mesmo, quando as estrelas ficarem todas acesas…
— Eu… eu só passava por aqui — murmurou o ouriço, a olhar para as patinhas. — Ia buscar uma bolota. Ou duas, se calhar três. Não vim por causa da história, não. Só… só me sentei um bocadinho, porque as pernas ficaram cansadas de tanto andar. Só isso mesmo. Boa noite, Nyta.
E então Hessi fez o que sempre fazia quando o coração batia depressa demais. Enrolou-se. Ficou uma bolinha castanha de espinhos, pequenina, encostada à raiz mais larga do carvalho. Por dentro daquela bolinha havia um pedido inteiro, bem guardado… um pedido que não conseguia sair pela boca.
Vergelijkbare verhalen
Vergelijkbare verhaaltjes
Rustige verhaaltjes met dezelfde sfeer — over vriendschap, de duisternis en de zachte stemmen van het nachtelijke bos.



Reacties
Reacties
Meld je aan om een recensie achter te laten
Alleen geregistreerde gebruikers kunnen reacties schrijven — zo houden we een warme en veilige sfeer.